quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Última chamada perdida (Dance of Days)

A cinza dor que cala as nuvens
faz mover as pedras
na cidade que tudo vê
e eu já não sei bem
como comecei a ter distante daqui
o que abandonei no relento
e as chances de que chegasse além
da canção dos trens correndo
Seria saudade então?
Não me lembro de um dia sequer
sem certos cortes
que sei,
jamais irão cicatrizar.
Mas como viveria sem sentir
a garoa no rosto quando é noite
e a lua vem buscar o que lhe pertence e
vem atirar meu corpo à parede pra dizer
que eu sou mais teu que nunca
e dizer que é tão transparente
que mata quem se atreve a querer
viver sem sombra e sem medo
e quem ousa gritar a um mundo
que não faz questão nenhuma de escutar
o que a gente sonha em dizer.
E ser gota que sempre foi mais mar
É só esperar a hora de abraçar
o imenso gigante que sabe tudo,
porque sempre foi parte de mim
como sempre foi minha maior vontade
Saber mais que deixar tão cinza assim...

(Nenê Altro)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Remembering...

O brilho diminuto que existe e adormece em sonhos,
uma imensidão interior abandonada me enerva...
Podem folhas cair, podem flores nascer,
o efêmero tempo findar e as crianças cantarem...
Eu nunca esquecerei deste luar de dezembro...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Chuva


Mesmo que tu me apunhale e magoe mortalmente,
me habituei com tudo isso.
Tenho reagido com tudo, e isso se contradiz.
Não tinha forças para cessar toda lamúria e confusão.
e tu nunca veio por completa,
e eu sozinho em chaga,
sempre morei em noites de silêncio

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Shiver 2... (Abnegação)


O mesmo néscio homem segue a buscar
A história se cessa em um fim digno de piedade
Entre milhares de desejos, poucos serão efectivos
Se com custo tivesse força pra regressar àqueles dias
Do Éden, um coro uníssono me atrai ao mar
Eu meto-me as águas, findo minha alma ao sacrifício

Shiver...


De algumas, subsistem noites inominadas,
que me submergem em breu...
eu retirei-me em fragmentos
Meus sentimentos eram ilimitados,
ainda que incoerente,
eu não posso riscar a aqueles dias quiméricos

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A revelação da Lua...


O instante derradeiro começa hesitar...
O ardor do flagelo se transforma totalmente
As borras se modificam em velocidades instantâneas
Em frontaria à reciprocidade se torna lacónica
O alarde das Flores habitadas a partir da bruma
O tempo das nuvens dilaceradas é cantada com veneração

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Carapaça



O delicado pâmpano abre as fendas
Mais uma ventania começa com veemência
Nada muda nem transforma
E me torno atemorizado e arrependido
De modo real não tenho ânimo pela amplitude do céu
ou no discordante cântico da cigarra, ou até em mim...
Se não for benquisto o que tu sente, então cesse em mim tua procura,
e não a faça nunca mais

Iremos chorar por quais motivos?
Não somos mais sábios que isso?