quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Provisão

Apeteci a esperança, sentado aqui, catatônico eu,
coração despedaçado feito papiro em água
contradizendo toda evidência de que não virias
me enviar tua última metade minha...
eu afogado em álcool e incêndios dentro de mim,
banho de sangue não mais ardia

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pois é...

...E ao coração que teima em bater
Avisa que é de se entregar o viver...


terça-feira, 29 de outubro de 2013

A shipwreck in the sand (um naufrágio na areia...)

Era uma vez
antes dos lagos e rios serem poluídos
antes dos animais serem caçados até a extinção
E antes dos homens destruírem a atmosfera terrestre
Havia um grande navio

Essa embarcação era para se aventurar em aguás novas
Para achar novos recursos, para fazer a vida mais fácil e mais prazerosa

Era uma simples missão para a tripulação
que estava excitada em fazer parte dessa união
eles prometeram sua fidelidade ao capitão
e juraram estar presente haja o que houvesse
na doença, saúde, e possível morte

o tempo foi passando, e não havia nenhum terra a ser descoberta
os dias ficaram mais curtos
e as noites mais longas e frias
a tripulação se tornou cada vez mais céticas em relação à visão do capitão
primeiramente apaixonada e verdadeiramente compromissada e fiel
agora eles começaram a se revoltar.

'você passou dos limites
eu fui honesto
nunca prometi nada
só uma irmandade para apoiar algo
e todos deveriam tomar a liderança
seguir seus sonhos
se você não tentar, você falha'

quando o motim começou e o capitão foi derrubado e acorrentado
ele perguntou por que suas mentes haviam mudando
'não há ouro a ser encontrado, sem tesouro nesse solo
não morreremos por isso
não morreremos por você'

'vocês estão loucos
eu fui honesto
nunca prometi nada
só uma irmandade para apoiar algo
e se até isso eles discordaram
seguir seus sonhos
se você não tentar, você falha'

esse sonho é agora
um naufrágio na areia
eles desistiram, fizeram todas as suas exigências
a tempestade consumiu 57 almas
e morrer em vão é o que eles roubaram

essa união, uma batalha lutada e perdida
essa união não é pela causa
essa união nunca foi pelo amor

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

eu, ela, eu... e ela (669 dias)


se tu não estivesse aqui,
decididamente seria monótono,
Saber isso me faria lhe esperar
até o ano de 2035

Reagradeço a ti por toda e qualquer coisa
perdoe-me de verdade por tudo até agora
e saiba que lhe dar o meu melhor foi o primeiro juramento que pude
fazer a mim mesmo com um sorriso no rosto.

Deixe-me falar algumas palavras
Como "obrigado" e "perdoe-me"

Amadureci por ti, me comedi por ti
aprendi o meu tempo e balanço
E, sim, acho que por tua causa.

Tu que gosto.
Tu que gosta de mim
Apenas reverberando sobre o que me fez pensar
que sou importante.

Se fosse nomear esse amor,
chamaria-o de: "Obrigado."

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Campos Elíseos - Parte 3 - Canto Final.

Fez-se algoz, alma infeliz,
Fez-se a vítima, pobre diabo...

Composição: Nene Altro

Campos Elíseos - Parte 2 - Mundanidade

Fez-se algoz, alma infeliz,
a salivar sobre a carne alheia.
Enfia os dedos, pulsa e alicia
um sem fim de vícios.
Iconoclasta, ainda assim idólatra,
serve o suór como comunhão lasciva.
Rastejando ao teu leito
em antropofágica volúpia,
aqueçe teu corpo, tal herege das sombras,
que surge como desaparece.
A beijar teu medo, afagar teu pecado...
Fez-se algoz, alma infeliz,
"Minto por mentir, cuspo por cuspir",
ainda assim vem e se deita.
Triste figura, extasiada aceita:
Do pó veio, pulvéreo será.

Mundanidade...

Campos Elíseos - Parte 1 - Devassidão

Fez-se a vítima, pobre diabo

a arrancar as feridas em busca da dor.

Contempla as chagas que cultiva

qual jardim infértil.
"Semear frustrações, colher agonias",
qual danaídes no inferno de seu sorriso pálido.
Arrasta os passos através dos dias,
falso néscio viciado em esquecer,
sedentário até para morrer,
que inexistente sem sombra no escuro.
Decrépito gosto por mastigar pregos...
Fez-se vítima, pobre diabo.
"Heterogenia" justifica para si mesmo
"Fraqueza" diz a voz que não se cala.
Triste figura, condenada aceita:
Do pó veio, pulvéreo será.

Devassidão...